Este texto é uma resposta adaptada que postei como comentário em um post feito nas redes sociais por um pastor, sob o título movimento dos desigrejados

Prezado Pastor:

O texto postado, é parcialmente verdadeiro e ainda mostra que realmente o cristianismo está decadente, porque ninguém, nem no texto ou nos comentários demonstrou preocupação nem amor pelas pessoas, que elas mesmas enquadraram nessa condição! Falo isso porque fui um dos primeiros a contestar esse termo “desigrejados” e também a buscar atrair essas pessoas para uma cobertura pastoral, a fim de entender esse movimento e por isso lhe digo, com todo respeito a sua postagem: a grande maioria deles não são desigrejados, são desdenominacionalizados, (sem denominação) feridos pela instituição e largados pelo caminho. Eles merecem de nós pastores, não julgamentos nem sentenças, mas o mínimo do cuidado pastoral que temos a responsabilidade ministerial de dispensar a quem está nessa condição. Se pastores estão a apedrejá-las, quem as amará? Quem tratará suas feridas? Talvez foram atitudes como essas que as machucaram e levaram à desilusão com sua denominação. Ninguém em sã consciência deixa uma igreja onde é amado, pastoreado e bem cuidado.

Estou trabalhando com grupos de pessoas assim, e a coisa mais linda, é que muitos deles apesar de feridos, continuam é querendo Cristo de verdade, o evangelho da cruz, mais palavra do céu, biblia, pastoreamento e menos exploração financeira e institucional, regras e desamor, razões pelas quais se decepcionaram com uma denominação e se afastaram , mas fazem parte da igreja verdadeira de alguma forma desejam ansiosamente fazer, e enquanto isso, buscam servir a Deus da forma como podem, às com muito mais lágrimas, dedicação, cristianismo e frutos que a grande maioria de outros semi-crentes, que são apenas frequentadores de templos, que são tidos como plenamente “igrejados” apenas pela exterioridade. Infelizmente estamos muito institucionalizados e formalistas e esquecemos que muitos desigrejados de verdade, são apenas religiosos, que estão dentro dos templos todos os dias, mas não fazem parte da igreja verdadeira, nem do corpo de Cristo, não seriam estes os verdadeiros desigrejados?

Em certo momento me fiz um deles para entender esse fenômeno e percebi que como pastores, precisamos nos atentar a isso e voltarmos mais ao evangelho verdadeiro, de menos pedras e mais amor pelas almas, de menos formalidades a mais atitudes cristãs, de nos preocupar que uma denominação que não tem foco na evangelização, nao investe nela, obscuriza sua função de igreja, e que o simples fato estar dentro de um templo periodicamente, não significa totalmente ser ou não ser igrejado. A igreja verdadeira não decepciona nem machuca pessoas, ela tem o bálsamo de Cristo e procura tratar e curar os feridos tal e trazê-los de volta, amando-as como o pastor que busca a centésima ovelha.

É muito fácil culpar as pessoas por suas atitudes, mas carecemos refletir que quando surge um movimento desse porte, de pessoas que não suportam as instituições e se “desigrejam” como dizem, no mínimo nos cabe uma auto crítica, uma avaliação cuidadosa da situação, pois certamente temos boa parte dessa culpa ou no mínimo nos cabe o esforço de buscá-las de volta, mas ao contrário, o que vejo são pessoas e até pastores, se encherem de razões e usar textos bíblicos para defender uma denominação e machucar mais essas pessoas já feridas. Ao que me lembro, Jesus morreu por almas, pessoas, não por templos ou agremiações religiosas, que aliás também o perseguiam, acusavam e faziam coisas exatamente assim com ele.

Infelizmente as pessoas confundem as denominações com a igreja. Essa confusão é o grande prejuízo, porque para ser denominação só precisa de documentação, registros, regras e estatuto, mas para ser uma igreja, é preciso antes de tudo, exarar o amor de Cristo, viver o verdadeiro amor e a profundidade do evangelho, curando feridas e propagando a paz, jamais machucando e ferindo pessoas.

Jamais defenderia essa condição como definitiva, pois a prática da fé cristã é fundamentada na comunhão com Deus e com os irmãos, e assim conclamo a todos aqueles que se acham nessa condição, que façam uma auto crítica, renunciem mais sua autonomia, se disponha, a sofrer por ele, olhem mais para Cristo que para os homens e dessa forma fatalmente encontrarão um bom lugar para se “reigrejar” e assim poderem viver a comunhão cristã em plenitude.

Pr. Eroni Fernandes

Posted by:Eroni Fernandes

Empresário, Pastor, defensor de uma igreja MENOS INSTITUIÇÃO e mais IGREJA DE VERDADE, relevante, focada na missão e com dedicação à sua razão de existir: Evangelizar e levar paz, alívio e salvação ao seu redor, expandindo na sua redondeza e alcançando o mundo.

2 respostas para ‘Como Pastor, ousei defender muitos daqueles que são rotulados de desigrejados!

  1. Pastor, obrigada pelo texto que veio casar com uma pregação do pastor Gustavo Paiva: “Especialista em Perdidos”. Há algum tempo tenho refletido sobre a situação atual de vários amigos e parentes. É um tema fundamental para ser debatido, refletido, apontado e criar estratégias para mudanças fundamentais. Um novo tempo se inicia. Precisamos estar preparados.

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