De um vigoroso crescimento para uma clara estagnação, divisões, evasão e envelhecimento da membresia. Esse é o caminho visível de muitas denominações que há pouco, eram exemplos e modelos de crescimento e que hoje estão em rota claramente descendente e nos trazem a questão: Quais seriam as razões disso? A resposta é simples e direta: Falar a linguagem do povo de sua época: a proximidade, afinidade cultural, fácil interação com o povo, sem “distância” cultural entre o púlpito e o público, etc., esses sempre foram seus pontos fortes, dessas denominações e fator preponderante em sua pujante expansão, hoje por não conseguir acompanhar culturalmente a evolução da sociedade está pagando o preço da falta de sintonia com a atualidade e o que foi seu motor no passado, hoje transformou-se em seu algoz!

As igrejas classificadas como tradicionais e históricas como por exemplo as Batistas e Presbiterianas, por exemplo, enquanto outras cresciam, estas pareciam estagnadas, justamente porque tinham dificuldades de alcançar o povo exatamente pela diferença de nível intelectual, formação e perfil de seus pastores e líderes serem acima da média da população. Na atualidade, a sociedade mudou e a situação se inverteu e estas estão se revitalizando e crescendo e o que dantes criava certas barreiras e dificultavam a expansão, hoje é a sua vantagem.

A principal razão que as igrejas pentecostais cresceram vertiginosamente, corrente representada principalmente pelas Assembléias de Deus, que ordenavam Pastores e Obreiros, pessoas simples da própria comunidade e com isso se demonstraram muito mais aderentes e adaptadas às características sociais um país rural, periférico e semi-alfabetizado do fim do século passado, e por isso, cresciam com vitalidade e todo o seu ministério, ritos, conceitos, estruturas foram delineados nesse e para esse perfil de pessoas que já não é preponderante na atualidade.

Hoje devido a tecnologia, políticas educacionais e outras ações, o perfil sócio, econômico e cultural do país mudou significativamente e os filhos dessas mesmas pessoas que fizeram o crescimento das igrejas pentecostais, bem como da sociedade em geral, conseguiram estudar, tem acesso a informação, e hoje são atualizados, possuem um nível crítico e de exigência muito alto para conteúdos, liturgia, atividades, aconselhamentos e inteligência de decisões, que os obreiros simples não conseguem atende-los satisfatoriamente e isso resulta na migração de pessoas para as igrejas antes ditas tradicionais.

O perfil dos pastores pentecostais que hoje dirigem essas igrejas, continua muito mais voltado para atender as gerações do passado que a do presente, porque são fruto do perfil de obreiros que essas igrejas sempre produziram, que já não falam mais com tanta eficácia a linguagem de seu público como antes, criando uma distância entre ai e o rebanho.

Além da situação cultural, a maioria desses pastores e dirigentes de igreja, por convicção própria ou regras da instituição, mantêm convicções, práticas litúrgicas, festividades, usos, costumes e tradições que não cabem mais na concepção desse perfil de pessoas e por mais argumentos que possam ter, não conseguem convencer as pessoas a permanecerem nas suas igrejas, além de terem enormes dificuldades em ganhar e manter novos membros e principalmente os mais jovens, que insatisfeitos, e muitas vezes sufocados pelo tradicionalismo reinante, migram a procura de ambiente mais adequado, pastores que falam sua linguagem, mais adaptados à realidade atual e tudo mais aderente ao seu nível cultural.

Obviamente por tratar de mudanças de convicções que se tornam sagradas pela prática contínua, quem sai ou quer mudanças fica cheio de rótulos, dados por aqueles que ainda se posicionam como detentores da verdade absoluta à luz de suas convicções.

O que foi motor tornou-se algoz, e no contraponto, o efeito foi contrário e resultou no crescimento das igrejas de perfil antes tradicionais e das comunidades formadas com práticas e culturas semelhantes a estas, que hoje são generosamente abastecidas de membresia advindo principalmente das Assembléias de Deus que tem enorme dificuldade de alinhar seus púlpitos com a condição cultural das gerações da atualidade, porque mantém suas práticas e precisa também honrar e manter os homens que fizeram parte seu crescimento, mas que hoje já estão envelhecidos, distantes do perfil necessário para atender a sociedade atual e manter o patamar de crescimento numérico e qualitativo que sempre teve. Esses homens merecem respeito pela sua história e pelo que fizeram pela igreja e que obviamente não se pode esperar deles mudanças de convicções que se solidificaram em uma vida inteira, mas a igreja não pode ser refém de tradicionalismos, a igreja precisa zelar da Doutrina bíblica e cumprir sua missão evangelizadora, é para isso que ela existe, e ao que parece ainda não é perceptível que haja alguma preocupação em se fazer alguma correção de rumo. A tradição tornou-se mais forte que a sua missão.

Pr. Eroni Fernandes.

Posted by:Eroni Fernandes

Empresário, Pastor, defensor de uma igreja MENOS INSTITUIÇÃO e mais IGREJA DE VERDADE, relevante, focada na missão e com dedicação à sua razão de existir: Evangelizar e levar paz, alívio e salvação ao seu redor, expandindo na sua redondeza e alcançando o mundo.

8 respostas para ‘Porquê algumas igrejas pentecostais estagnaram e outras denominações crescem?

    1. Não há equívoco porque o texto não fala isso e nem generaliza em todas as igrejas. Muitos usam esse argumento para justificar a incapacidade de ganhar almas e discipulá-las a ponto de mantê-las na igreja. Outra coisa: a homem algum foi dado o poder de julgar a qualidade das pessoas que frequentam uma igreja, pode
      No mínimo ver a aparência, mas apenas Deus vê o coração. Mas o foco central
      Do texto é que muitas igrejas pentecostais perderam a mão de suas principais características de crescimento enquanto as demais estão mais alinhadas com a sociedade atual.

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  1. Muito bom texto. Dr. Faustino vem fazendo esse alerta desde a década de 90. Porém, fica como dica buscar fontes fidedignas pesquisa que comprove este reflorescer das igrejas históricas. Pois até o ano de 2015 de acordo com os dados dos historiadores do Mackenzie os dados são outros é um dos problemas apontados por Harnandes é o academicismo nos púlpitos e falta de unção do Espírito. Eu apontaria outro problema é estarem aferrados as tradições do século XVI e em alguns contextos que vi de perto Calvino é a quarta pessoa da trindade. Mas valeu a reflexão.

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    1. Nossas fontes são fidedignas e por isso usamos palavras indefinidas como muitas e algumas por tratar-se de uma tendência que é influência do perfil cultural de cada região. Quem fala pela média não consegue detectar tendências pois a média é a mistura dos extremos e ada e serve muito aos interesses de quem é maioria que elimina movimentos menores. Concordo com o Risco do academicismo, mas entre o definhamento da mesmice estratégica e o Academicismo há um caminho melhor que Deus nos desperta a procurar antes da europeização da igreja brasileira!
      Obrigado por sua contribuição!

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  2. Não, não é essa a razão da ‘estagnação’ citada. Pessoas vazias do poder de Deus, querem grupos vazios do mesmo. O conhecimento humano levou esta geração à altivez. Querem pessoas ‘inteligentes’ para seu convívio. Quando Jesus voltar, veremos uma maioria na terra se lamentando, pois foram inteligentes demais para morarem no céu.

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    1. Não! de forma alguma. Deus é muito maior que esse deus pregado que acham só cabe em mentes ignorantes. O problema está que a mente religiosa humana limitou Deus de tal forma que não cabe em mentes inteligentes e aí culpam e condenam as pessoas por serem racionais! O evangelho quando pregado na essência alcança qualquer mente, qualquer pessoa, qualquer classe, ocorre que quem defende a ignorância para ir ao céu tem a mente cheia de religião e vazia do evangelho, pois quem tem o coração cheio do evangelho não se faz de juiz definindo quem vai para o céu, sente sim dor em saber que pessoas precisam ser alcançadas, seja de que classe for, que nível for!
      O que ocorre é que acostumamos associar o evangelho a pessoas vitimizadas pela vida e pela sociedade, agora que a condição social evoluiu, perdeu seu público fácil, se consola em colocar no Inferno quem não aceita o deus minimizado pela religiosidade, justificando assim sua inatividade e improdutividade na evangelização!

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