A historia nos mostra que igreja como organização religiosa pode morrer. Já se viu isso na Europa e agora também na América. Igreja como corpo de Cristo é perene, mas como instituição pode morrer sufocada por sua própria tradição.

O ciclo de vida de uma organização religiosa é muito longo e dificilmente a mesma geração testemunha mais de um estágio dos expostos no gráfico a seguir, mas é possível fazer uma auto-crítica e avaliar em qual deles sua igreja está vivendo.

O ciclo de vida e morte de uma organização religiosa:


Neste gráfico, demonstramos claramente os três estágios que podem ser diagnosticadas ainda em tempo de reversão da situação.

a) EXOIGREJA: É quando a igreja exerce plenamente sua missão evangelizadora. É voltada para fora, seus investimentos, ações e foco estão alocados no crescimento quantitativo e qualitativo, a expansão acontece, ganha vitalidade, significado e relevância na comunidade. Nesta fase, há a preponderância da igreja como organismo, foco na missão, amor entre as pessoas, comunhão, espiritualidade, frequência aos cultos, todos evangelizam, e a igreja cresce vigorosamente. etc.

b)ENDOIGREJA: É quando a igreja volta-se para dentro de si mesma. O crescimento gera aumento de recursos, muito trabalho, investimentos, a organização ganha corpo e começa se sobrepor ao foco da igreja como igreja. Como esta é a fase crítica que demanda os cuidados, e muitas igrejas no Brasil infelizmente estão neste estágio,  elencamos com mais detalhes alguns sintomas característicos:

Estagnação do Crescimento: O que era a vitalidade da igreja passa desapercebidamente a desvanecer e estagnar em um crescimento vegetativo e logo não consegue levar ao batismo nem os filhos da própria membresia.

Ativismo Religioso: Muitas atividades internas como ensaios, reuniões em demasia, atividades, festas, confraternizações, atrações diferentes, muito voltado para a própria membresia, sempre com gastos significativos, muito trabalho e poucos frutos para a missão primordial da igreja que é ganhar almas.

Empoderamento da Liderança: O líder é pouco acessível, foca nos cuidados e decisões da organização, tem pouco tempo para pastorear, torna-se cada vez mais insensível, mais gerente da organização e menos pastor da igreja e num estágio mais grave os próprios fiéis e obreiros subordinados inflam seu ego e este é periodicamente reverenciado, tudo é motivo para celebrar em sua homenagem e até de sua esposa, sem esquecer dos inúmeros presentes que recebem, enfim, chega próximo ao endeusamento. Estes sintomas reberberam e refletem de igual forma nos demais obreiros que dirigem igrejas subordinadas.

– Falta de investimento na missão promordial: O crescimento requer investimentos pesados e aí a estratégia do inimigo para sufocar o crescimento funciona a todo vapor: os recursos vão para construções, imóveis, estruturas e afins e os abnegados que quiserem recursos para evangelizar precisam atingir o cúmulo da falta de foco da igreja que é a necessidade fazer promoções, cantinas, bazares e todo tipo de campanha para poder arrecadar fundos para evangelizar, enquanto o dinheiro dos dízimos e ofertas vão para tijolos, concreto, escrituras de imóveis, etc.

Fortalecimento do Tradicionalismo: Essa estratégia do inimigo tem terreno muito fértil dentro das igrejas e idéias tornam-se doutrinas, não são atualizadas e aos poucos, os usos, costumes e regras humanas solidificadas ganham mais peso que a própria doutrina, o pecado passa mas as infrações a regras não. Com isso, muitas coisas deixam de fazer sentido para quem realmente busca viver um relacionamento com Deus e a prática religiosa torna-se pesarosa e um fardo insuportável para muitas pessoas.

Evasão de pessoas: A consequência do exposto no item anterior é que os mais jovens, as mentes mais esclarecidas e as personalidades mais decididas que fariam muita diferença no futuro da igreja, começam a migrar para outras denominações e os tradicionalistas so invés de tomarem ações pastorais, vêem isso como natural e ainda rotulam os que saem como rebeldes.

Envelhecimento da membresia: A saída dos mais jovens e o baixo numero de conversões traz como consequências a elevação da idade média das pessoas da igreja, pouca renovação e um ciclo ainda mais forte de fortalecimento da tradição.

– Perdas de Receitas: Obviamente menos pessoas resulta em estagnação e depois em redução das contribuições, que é agravado por um fator que passa desapercebido pelas lideranças por falta de avaliação mais tecnica e cuidadosa, que com o envelhecimento da membresia cada vez se terá menos pessoas em idade produtiva, que como consequência a renda média de todos cai e o ciclo redutivo das entradas de recursos se acelera.

c)O CAMINHO DO FIM: É inteligível com o exposto quando tudo se encaminha para um fim a uma velocidade que pode variar, mas se não forem tomadas providências corretivas enérgicas, a geração atual pode estar usufruindo as benesses de uma instituição grande, forte e rica, mas ferida de morte pela inércia e insensibilidade da sua liderança, cujo preço só será pago pelas próximas gerações.

A boa Notícia é que o Reino de Deus é infinitamente maior que as instituições e que estas se vão e o Reino fica e cresce, pois Jesus morreu numa Cruz, não para sustentar denominações, mas para salvar pessoas da condenação eterna e fortalecer o Reino de Deus.

Pr. Eroni Fernandes

Posted by:Eroni Fernandes

Empresário, Pastor, defensor de uma igreja MENOS INSTITUIÇÃO e mais IGREJA DE VERDADE, relevante, focada na missão e com dedicação à sua razão de existir: Evangelizar e levar paz, alívio e salvação ao seu redor, expandindo na sua redondeza e alcançando o mundo.

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